Pensando na bibliografia estudada
até o momento, nas discussões em sala e em suas percepções a partir deste
embasamento, discuta o papel do bibliotecário como biblioterapeuta, suas
potencialidades e limitações, quais as áreas de diálogo, exemplificando com
locais onde a Biblioterapia pode ser aplicada por bibliotecários (máximo 20
linhas).
Prazo para postagem: 28 de maio
de 2017.
Acredito que não há um consenso entre os autores estudados em sala de aula em relação ao papel do bibliotecário como bibliotetapeuta. Alguns acreditam que o papel desse profissional se limita na seleção de materiais (livros, revistas, materiais informativos, dentre outros) para a seção de Biblioterapia. Outros autores, assim como a maioria dos alunos da disciplina “Biblioterapia”, questionam se essa atividade terapêutica não deveria ser limitada apenas aos livros. Há ainda certos autores que acreditam que essa atividade pode incluir outros materiais impressos e ainda outras mídias, como áudio e vídeo. Eles afirmam que Biblioterapia pode incluir outras atividades, como desenho, música e até a interação com animais, como cachorro. Todos esses questionamentos foram apontados durante as aulas. No meu ponto de vista, o bibliotecário está preparado para selecionar os livros para as sessões terapêutica, bem como para participar ativamente das atividades. No entanto, acredito que o ideal seria ter uma equipe multidisciplinar, com a presença de psicólogo, bibliotecário, pedagogo (no caso de sessões feita em escolas), de profissionais da área médica (no caso de sessões feitas em hospitais) e outros profissionais, dependendo do local no qual a sessão é realizada. Acredito que os participantes devam se sentir seguros e para isso é importante que os profissionais que se proponham a trabalhar com a Biblioterapia sejam conscientes das suas limitações e dos desafios a serem enfrentados. Outro ponto importante a ser mencionado, é que os bibliotecários podem procurar se habilitar em outras áreas de conhecimento para poder atuar na Biblioterapia de forma mais plena.
ResponderExcluirA biblioterapia pode ser aplicada em inúmeros locais, como hospitais, escolas, asilos, entre outros. E em todos estes contextos o bibliotecário pode estar inserido, porém em muitos deles é preciso trabalhar com uma equipe multidisciplinar, pois o bibliotecário sozinho não consegue lidar com o que pode advir das sessões de biblioterapia. Nessas situações um psicólogo vai ter mais conhecimento e técnicas para agir.
ResponderExcluirAlém disso, a biblioterapia dialoga com várias áreas, principalmente com a psicologia, mas também pode dialogar com a medicina, com o jornalismo, com a pedagogia, a enfermagem, com a área de letras, e várias outras áreas dependendo de onde a biblioterapia será aplicada.
O trabalho em colaboração pode trazer melhores frutos, trabalhar com pedagogos e psicólogos infantis quando as sessões de biblioterapia forem com crianças é melhor do que o bibliotecário trabalhar sozinho, pois os pedagogos e os psicólogos infantis têm maiores conhecimentos sobre as reações das crianças.
A biblioterapia, segundo Ferreira (2003, p. 38) “é processo terapêutico baseado na literatura, mas que utiliza materiais selecionados com o objetivo de provocar o insight e a catarse através de discussões orientadas de um grupo constituído de forma homogênea.” e, portanto a Biblioteconomia dialoga diretamente com a prática, já que a literatura e a mediação desta para o público fazem parte das práticas bibliotecárias, e neste ponto o bibliotecário pode trazer muitas contribuições como o conhecimento da literatura e o cuidado com a seleção dos livros, e o trabalho com a mediação das histórias, sem que para isso precise utilizar técnicas teatrais ou brincadeiras para prender a atenção das pessoas que estão participando da sessão (apesar de termos visto em sala que estes métodos foram muito utilizados nas práticas que basearam os artigos lidos.)
Fernanda Resende Sobreira
Como biblioterapeutas, os bibliotecários podem atuar em diversos locais, e, é interessante que dialogue com outras áreas. As escolas, hospitais, centro de convivência, reabilitação, entre outros, podem receber sessões de Biblioterapia, com uma equipe que possua profissionais, não só da Biblioteconomia, mas da área da saúde (psicólogos, médicos, psiquiatras), da educação (professores, pedagogos), dependendo do local e participantes, por exemplo.
ResponderExcluirO bibliotecário tem conhecimento para seleção de livros que devem ser utilizados, para atender aos objetivos pretendidos nas sessões de Biblioterapia, além de ser um agente mediador, que pode proporcionar a interação e socialização entre os participantes.
Porém, este profissional sozinho, pode não conseguir lidar com algumas situações, em que profissionais de outras áreas estão acostumados ou preparados. Deste modo, é importante fazer um estudo prévio, conhecer as necessidades e limitações do local, dos participantes e analisar os objetivos para selecionar e trabalhar juntamente com profissionais capacitados e essenciais. Essa ação dos profissionais em conjunto, podem gerar muitos benefícios aos participantes, tendo mais organização e conhecimento para resolver possíveis imprevistos nos comportamentos, e compartilhamento de informações, que podem auxiliar os agentes em uma melhor atuação.
Ruth Almeida Nonato
O bibliotecário, enquanto biblioterapeuta, possui um papel de extrema importância durante o processo de aplicação da biblioterapia. Enquanto mediador, esse profissional possui as competências necessárias para realização dessas sessões de maneira adequada, visando sempre proporcionar aos participantes uma experiência positiva compatível com suas necessidades naquele momento. No entanto, para que essa função seja exercida com eficiência, o bibliotecário deve buscar conhecimentos além daqueles adquiridos durante a sua formação. Com base nesse aspecto, uma das áreas que mais agrega conhecimentos e gera a possibilidade de troca de experiências é a da Psicologia. Unindo esses dois campos, o bibliotecário seria capaz de efetivar o processo da biblioterapia de uma forma apropriada, inciando na escolha de um grupo homogêneo, ou seja, que compartilham de um mesmo problema. Após essa etapa, ele também estaria apto para filtrar as obras disponíveis para serem trabalhadas naquele grupo específico, de modo a promover nos indivíduos reflexões acerca do que foi apresentado durante a sessão. A forma como conduzir as interpretações apresentadas pelos indivíduos após esses momentos é parte fundamental para o bom resultado de todo o processo, algo que o campo da Psicologia também proporciona. É importante ressaltar que o bibliotecário não necessita trabalhar de forma individualizada nessas sessões. Em locais como hospitais, por exemplo, o auxílio de outros profissionais já inseridos naquele ambiente, como médicos, enfermeiros e psicólogos, torna-se fundamental para a compreensão do contexto dos pacientes que irão formar o grupo a ser trabalhado. Esse fator torna-se ainda mais relevante quando o bibliotecário não possui tempo suficiente para realizar uma análise aprofundada acerca das aflições dessas pessoas.
ResponderExcluirIsabelle Adriene de Oliveira
A partir dos trabalhos expostos e discutidos ao longo da disciplina como Ouaknin (1996), Ferreira (2003), Silva (2005), Abreu, Zulueta e Henriques (2012/13), Guedes (2013a, 2013b), entende-se a Biblioterapia, enquanto ciência, como a disciplina que estuda os processos de desenvolvimento psicológico do(s) sujeito(s) a partir do uso prescritivo de material de leitura com fins terapêuticos que se fazem a partir da discussão orientada.
ResponderExcluirA partir desse entendimento, corroborado com o levantamento e analise bibliográfica de Silva (2005), compreendemos a Biblioterapia, enquanto atividade prática, como um trabalho de natureza essencialmente interdisciplinar que para sua realização requer competências que compreenda a constituição dos processos psicológicos e sociais de modo que compreenda as necessidades de um grupo que se relacionam com esses processos e que irão compor o cerne da(s) sessão(ões) biblioterapêuticas. As sessões por sua vez se pautarão em materiais de leitura que respondam a essas necessidades, de forma que promova o desenvolvimento cognitivo dos sujeitos ajudando os mesmo a alcançar a autocompreensão a partir da resolução de suas necessidades.
Com este processo em mente, e pensando nas possíveis etapas que subsidiam a realização do mesmo, entendemos que o bibliotecário, baseando em formação acadêmica, que o mesmo não possui as competências necessárias para atuar como biblioterapeuta por si, já que sua formação tem um teor mais generalista com o fim de preparar o profissional “para atuação em qualquer tipo de biblioteca”, como destaca Campello (2015, p. 10). Nesse sentido as etapas que se referem à compreensão das necessidades psicossociais e o trabalho posterior de orientação e de desenvolvimento para superação poderiam ficar deficientes ou não realizadas de forma completa.
Desta forma, entende-se que além da formação acadêmica básica é necessária uma formação especifica ao profissional que pretende realizar sessões biblioterapêuticas, o que pode ocorrer em cursos de especialização, por exemplo, ou então manter o trabalho em constante diálogo com as áreas que estudam os processos psicológicos como a própria Psicologia, a Sociologia, Filosofia, entre outras.
A Biblioteconomia, e o bibliotecário por consequência, como pontuam Guedes e Baptista (2013b), estaria apta a estudar as aplicações da Biblioterapia que passaria pelos processos de seleção de material, preparação de espaços a serem realizadas as sessões, a realização das leituras e promoção das discussões, mas sempre alinhada com os estudos das ciências cognitivas.
No que diz respeito aos espaços de ocorrência acreditamos que não chega a ser um problema ao bibliotecário a aplicação em qualquer espaço, já que a formação generalista da profissão o capacita a atuar em diferentes realidades. O que se pensa em relação à Biblioterapia é a possibilidade de sua aplicação em espaços abertos como parques ecológicos e praças, e também espaços mais fechados como hospitais e clínicas, prisões. Entendemos que o espaço, independente de ser fechado ou aberto, deva atender ao critério principal de promover aos sujeitos oportunidades de se expressarem livremente sem nenhum tipo de represália ou julgamento.
Finalizamos entendendo que o maior limitador do bibliotecário ao realizar sessões de Biblioterapia é a compreensão do desenvolvimento psicológico humano em que não há formação que contemple nos currículos acadêmicos, o que por sua vez leva a necessidade do dialogo com outras disciplinas que contemplem essas questões. Destacamos que ainda que essa compreensão seja insuficiente na formação do bibliotecário, todas as outras etapas que constituem o processo biblioterapêutico, fazem parte da mediação da informação, a qual o bibliotecário, possui formação especifica, e a área por sua vez, tem estudos aprofundados suficientes para compreendê-la, o que infere então a necessidade da figura do bibliotecário como componente essencial a Biblioterapia.
Referências
ExcluirABREU, Ana Cristina; ZULUETA, Maria Ángeles; HENRIQUES, Anabela. Biblioterapia: estado da questão. Cadernos BAD, n. 1 / 2, 2012/2013.
BRYAN, Alice I. Can there be a science of bibliotherapy?. Library Journal, v.64, p.773-776, out. 1939.
CAMPELLO, Bernadete Santos. Bibliotecas escolares e Biblioteconomia escolar no Brasil. Biblioteca Escolar em Revista, v. 4, p. 1-25, 2015.
FERREIRA, Danielle Thiago. Biblioterapia: uma prática para o desenvolvimento pessoal. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, SP, v.4, n.2, p 35-47, jun. 2003.
GUEDES, Mariana Giubertti. A biblioterapia na realidade bibliotecária no Brasil: a mediação da informação. 2013. 189 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Faculdade de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2013a.
GUEDES, Mariana Giubertti; BAPTISTA, Sofia Galvão. Biblioterapia na Ciência da Informação: Comunicação e Mediação. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 18, n. 36, p. 231-253, jan./abr. 2013b.
OUAKNIN, Marc-Alain. Biblioterapia. São Paulo: Edições Loyola, 1996
SILVA, Alexandre Magno. Características da produção documental sobre Biblioterapia no Brasil. 2005. 122 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.
Através de todo conteúdo estudado até agora foi possível ampliar os horizontes acerca das possibilidades que a Biblioterapia oferece. Devido ao sufixo ‘terapia’ é um termo que frequentemente cai nos clichês de aplicação em clínicas, hospitais e asilos, ou seja, em geral localidades onde as pessoas se encontram enfermas ou em situações delicadas.
ResponderExcluirPara se pensar no bibliotecário como um biblioterapeuta efetivamente - e não apenas como um suporte a outros profissionais – é necessário enxergar a biblioterapia como opção para outros meios, como por exemplo, escolas e empresas. São locais tradicionais de atuação do bibliotecário e que tem potencial para a aplicação de um projeto, se bem planejado e arquitetado, que resulte em sucesso.
A formação em nível de graduação dos cursos de biblioteconomia no Brasil por si não são suficientes para preparar o futuro bibliotecário para desenvolver funções de terapeuta, ainda que a biblioterapia esteja estreitamente ligada a essa área de estudo, ela engloba outras esferas que precisam ser cuidadosamente observadas, essa é o primeiro desafio a ser superado na busca do reconhecimento do profissional bibliotecário como biblioterapeuta.
Após o devido estudo e qualificação, inserir a biblioterapia em meios diversos, buscar seu reconhecimento e validar suas propriedades é o próximo passo na jornada. Ainda que seja um trabalho árduo, é perceptível que o retorno é satisfatório e representa um futuro para a profissão do bibliotecário.
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ResponderExcluirA Biblioterapia enquanto área de pesquisa é pouco explorada no Brasil, colocando-nos então, com uma literatura nacional limitada e sem grandes evoluções. Além disso, enquanto prática profissional, os bibliotecários tomam pra si e não tratam com a interdisciplinaridade que a prática biblioterapêutica pede, proporcionando assim uma “biblioterapia” com visão limitadora e muitas vezes errônea.
ResponderExcluirMuito do que nos foi apresentado quando, comparado as leituras dos textos e as apresentações nas salas, o resultado quase sempre era leitura “prazerosa e que provoca-se riso” ou então “que busca a catarse”, como se a leitura pudesse ser cômica ou triste, sem a profundidade de interpretação do texto e quiçá uma identificação com relato/história/personagem.
Vimos que o uso da técnica é mais utilizado por profissionais da saúde (psicólogos, médicos, enfermeiros), que se unem em uma equipe multidisciplinar, ainda falando de outras áreas (educação, terapia ocupacional), que tem na biblioterapia um campo foi-nos apresentado um trabalho que mostrava de forma objetiva o quanto é usada por outras áreas em conjunto e que os bibliotecários poderiam juntar-se aos outros profissionais, para conseguir proporcionar o que a biblioterapia se propõe: Cura ou Auto desenvolvimento.
Débora Crystina Reis
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ResponderExcluirA priori creio que é importante reforçar que a prática biblioterapêutica exige estudo tanto da própria biblioterapia quanto da comunidade na qual ela será aplicada. As maiores limitações, na minha percepção, por parte dos bibliotecários e bibliotecárias que aplicam a biblioterapia é justamente a falta de compreensão sobre o realmente é a biblioterapia. Talvez esse processo se dê pela pouca discussão sobre a temática e até mesmo pelo pouco material disponível para estudo no Brasil. O fato é que essa lacuna pode, e deve, ser preenchida com a construção de parcerias com profissionais de outras áreas uma vez que a biblioterapia dialoga com a psicologia, a pedagogia, a farmácia, a medicina, entre outras áreas. Tais parcerias enriqueceriam o processo biblioterapêutico uma vez que cada profissional possui a sua visão sobre a prática, podendo assim, dar a sua contribuição específica e permitindo uma análise mais abrangente tanto o ato da leitura em si como as ações que emergem a partir dela. A partir disso, bibliotecários podem aplicar a biblioterapia em hospitais, asilos, escolas, ONGs, casas de reclusão, presídios e onde mais entenderem que a biblioterapia pode ser enfim efetiva.
ResponderExcluirFERNANDA TEIXEIRA BRITO